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Por que não entregamos nossos filhotes com apenas 45 dias?

Vacinação, imunidade e a responsabilidade de um criador

A chegada de um filhote à nova família é um momento aguardado com enorme ansiedade. É natural que, depois de escolher o seu cão, o futuro tutor queira levá-lo para casa o mais rápido possível.

Mas existe uma pergunta que consideramos muito mais importante:

Qual é o momento mais seguro e adequado para esse filhote deixar o criador?

No Artdeco Kennel, acreditamos que criar com responsabilidade também significa saber esperar.

Por isso, não temos como objetivo entregar um filhote simplesmente porque ele já consegue comer sozinho ou porque atingiu determinada idade. Preferimos que nossos filhotes permaneçam conosco durante uma parte importante do protocolo inicial de vacinação, recebendo acompanhamento, alimentação adequada e cuidados em um ambiente conhecido.

E existe uma razão muito importante para isso.

Uma dose de vacina não significa imunidade completa

É comum ouvirmos:

“O filhote já tomou a primeira vacina, então já está protegido.”

Não é tão simples.

Nas primeiras semanas de vida, o filhote recebe anticorpos maternos principalmente através do colostro. Essa proteção é fundamental no início da vida, mas diminui progressivamente.

E aqui acontece algo muito interessante.

Os anticorpos maternos podem estar em quantidade insuficiente para proteger completamente o filhote contra determinadas doenças e, ao mesmo tempo, ainda estar presentes em quantidade suficiente para interferir na resposta a uma vacina.

É o que especialistas chamam de janela de suscetibilidade.

Por isso, uma primeira dose não deve ser interpretada como uma garantia de que aquele filhote já desenvolveu proteção adequada.

É justamente uma das razões pelas quais o protocolo de vacinação dos filhotes envolve doses sucessivas, aplicadas nos intervalos determinados pelo médico-veterinário.

E o filhote entregue aos 45 dias?

Por volta dos 45 dias, um filhote tem aproximadamente seis semanas de vida.

É uma fase muito precoce.

Mesmo que já tenha recebido uma primeira vacina, ele pode ainda estar em processo de construção da sua resposta imunológica.

Ao deixar o ambiente onde nasceu, esse filhote também passa a encontrar um mundo completamente novo:

uma nova casa, novas pessoas, outros animais, diferentes pisos, jardins, calçadas, clínicas veterinárias, pet shops, áreas comuns e inúmeros ambientes onde agentes infecciosos podem estar presentes.

Além disso, a própria mudança representa uma grande transformação na rotina do animal.

Por isso, para nós, não existe pressa que justifique antecipar uma etapa tão importante da vida de um filhote.

Por que preferimos entregar depois da segunda dose?

No Artdeco Kennel, preferimos manter nossos filhotes sob nossos cuidados durante uma parte maior do protocolo inicial e realizar a entrega somente após a segunda dose prevista pelo protocolo veterinário adotado para aquele filhote.

Isso não significa afirmar que, após a segunda dose, o animal esteja “100% imunizado”.

Não está.

O protocolo vacinal deverá continuar de acordo com a idade, a vacina utilizada, as condições individuais do animal e a orientação do médico-veterinário.

A diferença é que optamos por não transferir tão precocemente para a nova família toda a responsabilidade por um filhote que ainda está atravessando uma fase particularmente delicada.

Cada semana a mais conosco também significa mais tempo de observação.

Acompanhamos alimentação, ganho de peso, desenvolvimento, comportamento, fezes, disposição e resposta às vacinas.

Para nós, isso também faz parte de criar.

Vacinação não é apenas aplicar uma injeção

Existe ainda outro ponto que consideramos fundamental.

Uma vacina precisa ter procedência adequada, armazenamento correto e aplicação dentro das condições recomendadas.

O protocolo também deve ser definido e acompanhado por um médico-veterinário.

Vacinar não é simplesmente preencher uma carteirinha.

É fazer parte de um programa de medicina preventiva.

Parvovirose e cinomose, por que todo cuidado importa

Entre as doenças que tornam essa fase especialmente importante estão a parvovirose e a cinomose.

A parvovirose merece atenção especial porque o vírus pode permanecer no ambiente e a exposição pode ocorrer sem que o tutor perceba.

Já a cinomose é uma doença viral grave e potencialmente fatal.

É justamente por existirem doenças dessa importância que consideramos inadequado transmitir ao novo tutor uma falsa sensação de segurança simplesmente porque o filhote recebeu uma dose de vacina.

Vacinação é um processo, não um acontecimento isolado.

Esperar também é cuidar

Sabemos que é difícil escolher um filhote e depois precisar esperar.

Nós entendemos essa ansiedade.

Mas preferimos ouvir:

“Quando posso buscá-lo?”

e responder:

“Ainda precisamos esperar um pouco.”

Porque estamos falando de uma vida que dependerá das decisões tomadas por nós.

Um criador responsável não deveria pensar apenas no dia em que o filhote será entregue.

Deve pensar em como aquele filhote chegará à nova família.

O nosso compromisso

Criar cães envolve genética, seleção, alimentação, higiene, socialização, acompanhamento veterinário e muito estudo.

Mas envolve também responsabilidade.

No Artdeco Kennel, acreditamos que a responsabilidade do criador começa muito antes do nascimento e não termina no momento da venda.

Por isso, preferimos esperar.

Preferimos acompanhar.

Preferimos cumprir etapas.

E preferimos entregar nossos filhotes quando consideramos que eles estão mais preparados para iniciar uma nova fase de suas vidas — sempre orientando a família sobre a necessidade de completar todo o protocolo vacinal indicado pelo médico-veterinário.

Porque, para nós, entregar um filhote não é simplesmente entregar um cão.

É confiar a alguém uma vida que começou sob a nossa responsabilidade.